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Editorial
Caro leitor: “Seja do seu pomar, seu próprio, o que colha, É com imenso prazer que apresentamos Sozinho com Tu, coletânea de meia dúzia de matérias idealizadas a partir do estudo dos grandes conceitos da psicanálise atual; recheadas com o nosso confronto direto com a sociedade contemporânea e temperadas com a ginga brasileira da equipe de redação: meia dúzia de mulheres que preferem estar com tu, sem abrir mão do luxo de construírem, sozinhas, o contorno de seu percurso no mundo. Nós apostamos na possibilidade de fazer laços, mesmo que, em qualquer parceria, alguma coisa sempre escape. Nós estamos noutra praia. Assumimos que cada qual está sozinho, mas pode se articular com o outro, por meio de monólogos articulados. É por este motivo que não apresentamos o velho e bom diálogo como panacéia para todos os males. Ao escolhermos esse título provocativo para batizar nossa criação, queríamos, portanto, escancarar o fato de que não há possibilidade da linguagem recobrir o campo da experiência humana. Há coisas que queremos lhe falar, mas não sabemos dizer. Saberá você escutá-las? Fará você a sua parte do percurso para nos encontrar em algum lugar no meio do caminho? É incerto, mas é a nossa aposta. Podemos fazer algumas coisas para facilitar. Por este motivo, vamos dizer logo, assim, escancarado, que essa publicação procura pinçar como, na hipermodernidade, o sujeito lida com o seu gozo e se organiza com seus pares. Conseqüentemente, ao longo da publicação, você está convidado a entender que, na perspectiva psicanalítica, trata-se de dar privilégio a um tipo de uso da linguagem que não se baseia exclusivamente no falado; mas que se sustenta num saber-fazer que pode engajar os sujeitos em um laço que implica um gozo do corpo. Por que fazer isso? Nós explicamos, querido leitor, explicamos. É que não acreditamos que a interação se completa, que os sentidos são estáveis e que o sujeito que usa a linguagem é capaz de dizer tudo. Nadamos no sentido contrário ao de uma mídia que se impõe como um dispositivo de controle. Além disso, nós não gostamos de publicações repletas de receitinhas e de recomendações de objetos prontos para o uso. Elas fazem o mundo ficar um tédio: só se prestam a apresentar ao leitor soluções padronizadas que os leva a ficar um igualzinho ao outro. Por este motivo, em Sozinho com Tu , estamos privilegiando exemplos de casos em que pessoas assumiram uma maneira singular de pautar suas ações e suas vidas. Uma última dica: n a organização das seções, procuramos dialogar com a epígrafe deste editorial. Na primeira matéria, Paixonários? comparamos a posição de quem se prende ao passado e prefere ficar só com as folhas com aquela de quem tenta não abdicar de colher os frutos dessa nova realidade. Gente que exagera apresenta um inusitado fruto de nossa época, mundo mutantis, no qual nossa entrevistada exagera de tanto mudar. Angu de caroço tematiza o afeto predominante do homem contemporâneo: a angústia. Para introduzir o tema de como alguns jovens estão tentando transformar suas flores em fruto, em És...colhas, você vai ler um ensaio a respeito de como os jovens projetam seu futuro. Na matéria Perfil, trazemos duas entrevistas com pessoas que tem cultivado um pomar singular. Pra terminar, como não poderia deixar de ser, em Vai encarar? tematizamos a formação do analista. Nesse sentido, Sozinho com Tu é uma proposta de mostrar e convidar para o encontro com novas e múltiplas formas culturais. Propomos que, a partir de seu gosto, cada um escolha o material que melhor lhe convém para estabelecer uma parceria com o mundo, não se apresentando como vítima, mas como co-autor dele. Vale a pena conferir! Para terminar esse nosso primeiro contato, um pedido: se você gostar de Sozinho com Tu, passe esse link para seus amigos, nós queremos causar um efeito de articulação que se propague. Isso não significa gerar um discurso comum, ao contrário. Em nossa proposta mix, cada um se engancha num lugar diferente. Acreditamos que, mesmo quando a gente se junta em torno de um mesmo objeto, é possível manter a diferença. Aliás... E você? Que tipo de pomar vai cultivar nesse novo mundo? Com o forte abraço da, |